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sexta-feira, 25 de março de 2011

Plano estratégico

Plano estratégico eficiente alia revisões periódicas de processos com envolvimento do capital humano



Escolhas de mercado equivocadas e a falta de conhecimento sobre os concorrentes podem afetar a perpetuação do negócio.



Fonte: Revista Fator



A competitividade cada vez mais acirrada e a percepção de que é preciso alinhar a equipe em torno de objetivos comuns são os principais motivadores para a implantação de um plano estratégico. A falta de meta, a ausência de resultados e de diretrizes do que será feito e de onde se quer chegar indicam a necessidade de redesenhar a gestão da empresa. A análise é de Valdivo Begali*, consultor de empresas, fundador da Cia de Planejamento e autor do livro “Trabalho de Equipe, Como Revolucionar Sua Empresa” (Juruá Editora). Para ele, o plano estratégico é a “trama” da organização, capaz de definir os rumos, os resultados e as recompensas corporativas.

Segundo o consultor, não implementar um plano estratégico pode afetar o negócio de diversas formas. A mais comum é a organização não conhecer os produtos e as práticas dos seus concorrentes, deixando de aprender com eles. Outra situação é não compreender e não acompanhar como a necessidade ou desejo do cliente evolui, perdendo o timing para criar novas soluções. Entretanto, pela sua experiência, o pior caso é quando a companhia insiste em uma escolha equivocada.

“Vivenciei situações em que, quanto mais a companhia procurava crescer, mais subiam seus prejuízos, porque sua tecnologia não lhe permitia concorrer no segmento de mercado que estava inserida. Em outro exemplo, a empresa estava exageradamente alavancada e os juros que pagava aos bancos consumiam seu lucro. No fundo, trabalhava de graça, já que ao final do mês não sobrava nada, apesar de seus gestores e colaboradores lutarem para serem eficientes”, explica.

Felizmente, os empresários têm valorizado a adoção de metodologias estratégias que possam garantir a perpetuação do negócio. Com isso, o papel do gestor de RH passou a ganhar importância. Para Begali, no desenvolvimento do plano estratégico o capital humano é tão importante quanto qualquer outro recurso, seja material ou tecnológico, já que ações elaboradas em consenso e por meio do trabalho de equipe eliminam os atritos comuns entre o setor de RH e o pessoal operacional. “A trama acaba sendo de todos e aí temos a grande vantagem do alinhamento do time em torno de metas e projetos compartilhados”, completa.

Na metodologia criada por Begali uma das vantagens é que, ao desenvolver o plano estratégico com a equipe, a empresa aproveita o conhecimento de seus funcionários, cujo tempo está à disposição gratuitamente. Isso torna o custo do projeto mais barato em relação à metodologia da consultoria tradicional, que aloca consultores externos para realizar levantamentos, entrevistas e análises.

De acordo com Begali, a mobilização da equipe começa antes que o planejamento seja iniciado. No começo, é comum a iniciativa tornar alguns membros da equipe receosos, pois pensam que se trata de mais um disfarce para corte de pessoal. Mas logo todos se dão conta de que o processo é outro, que objetiva decidir os rumos da empresa. “O receio se transforma em empolgação quando nas últimas etapas do planejamento são discutidos pela equipe os critérios de recompensa ou premiação pelos resultados que forem alcançados. A recompensa é o fecho da trama, é o que a torna legítima e atraente”, afirma.

Para que o plano seja implantado é necessário que se crie um processo de acompanhamento de sua evolução, com revisões periódicas, inicialmente semanais e, depois, com intervalos maiores quando a equipe já tiver conquistado confiança, os projetos e programas tiverem se tornado realidade e os resultados evidentes. Essas revisões precisam ter como foco os obstáculos que estejam dificultando o avanço e as decisões de como removê-los. “A implantação requer disciplina e persistência por parte dos gestores. Mas a recompensa vislumbrada compensa o esforço de todos”, diz.

O consultor enfatiza que no ambiente corporativo dos dias atuais nenhuma empresa sobreviverá sem uma revisão estratégica periódica. Isso se dá porque os atores do mercado estão a todo o momento em busca de eficiência para seduzir a maior quantidade possível de clientes, em detrimento de seus concorrentes.

Na prática - Para uma empresa de pequeno ou médio porte o projeto de elaboração de um plano estratégico dura de dois a três meses. Na metodologia elaborada por Begali o primeiro passo é a realização de uma reunião preparatória. Depois são realizados quatro workshops com a equipe, um a cada duas semanas. “Esse intervalo é necessário para que seja possível executar algumas tarefas que são encomendadas e, também, para que certos insights que ocorrem durante o projeto amadureçam, ganhem nitidez. Esses insights mexem com as convicções da equipe, criando pontos de inflexão, tornando as escolhas evidentes e necessárias”.

Quanto mais política é a organização, maior será o número de consensos que precisam ser construídos fora das reuniões. No extremo oposto temos a empresa que possui um líder forte e admirado. Nesse caso, os consensos são construídos em torno de suas opiniões, sem grande dificuldade, durante os encontros.

“Nossa metodologia leva a equipe a um alinhamento notável, congregando os modelos mentais individuais em torno de metas e projetos claros e valiosos. A regra geral para superar barreiras é a maioria expor seus argumentos de maneira sincera à minoria, processo esse que tem funcionado muito bem em 100% dos casos. Como a trama da empresa tem que ser propriedade da equipe, o processo decisório durante os workshops é o consenso, isto é, não se vota. Voto é coisa da democracia, pois não há outra maneira para multidões decidir. Mas na empresa o voto não é necessário porque o grupo de “eleitores” é pequeno, o que torna o uso da argumentação plenamente adequado para se alcançar os resultados necessários e com uma qualidade muito melhor daqueles obtidos pelo voto. Sem falar que no processo decisório por consenso você gera compromisso verdadeiro com a trama criada”, ensina.

Benefícios - As mudanças dentro da empresa começam a ocorrer já durante o planejamento e as vantagens surgem rapidamente. O consultor afirma que um dos subprodutos mais apreciados pelos clientes é a melhoria do entrosamento da equipe, do clima e, ainda, da qualidade de vida resultante do menor estresse nas relações de trabalho. A camaradagem e a tolerância aumentam, especialmente porque crescem a confiança e o interesse, outras duas questões-chave para que exista o trabalho em equipe em qualquer organização.

“Embora os benefícios gerados pela revisão estratégica variem de situação para situação, temos tido casos em que o projeto se pagou em questão de meses. Um exemplo de retorno muito rápido foi de uma empresa que conseguiu aumentar em 12% suas vendas, por meio de uma melhor cobertura geográfica, com aumento desprezível de custos. Tivemos outro caso em que uma organização conseguiu liberar um andar inteiro que usava em uma avenida de primeira linha em São Paulo”, exemplifica. Essas ocorrências são muito comuns porque, como já comprovado por pesquisas, as organizações acumulam ineficiências com o passar do tempo. “Por isso é vital que as empresas se submetam periodicamente a revisões estratégicas conduzidas por profissionais independentes”, defende.

Metodologia - A metodologia do consultor, trazida da Universidade Columbia, contempla cinco etapas: na primeira é feita a análise e revisão de aspectos institucionais da empresa – como missão, valores, visão e objetivos estratégicos de longo prazo. Depois são analisadas as condições internas da companhia – como tecnologia, competitividade de seus recursos humanos, adequação de sua infraestrutura, solidez de seu balanço patrimonial, entre outros aspectos.

Na terceira etapa são estudadas as tendências e as forças externas que influenciarão a empresa no médio/longo prazo, já que até mesmo as grandes mudanças são em sua grande maioria precedidas de sinalizações que devem ser aproveitadas pelos empresários atentos. Posteriormente, é formulada a estratégia propriamente dita, na qual a equipe fará as escolhas cruciais que decidirão se o rumo trilhado pela organização será mantido ou sofrerá ajustes. E, por fim, na última fase, é construído o mapa estratégico, com os projetos e programas necessários para que a estratégia formulada se torne realidade.

O autor - Valdivo Begali é consultor de empresas, fundador da Cia de Planejamento e possui cursos de especialização em Planejamento Estratégico nas Universidades Columbia e Michigan State, dos EUA. Estudou Engenharia Industrial, Administração de Empresas e trabalhou, antes de ser consultor, em grandes companhias, no Brasil e no exterior. Defende o planejamento da empresa feito em equipe, “porque o resultado é mais equilibrado, o plano fica pronto mais rápido, e o grupo se compromete em implantar o que for decidido”. É membro da Association for Strategic Planning de Los Angeles. Atua como consultor em gestão empresarial há dez anos. Sua metodologia – já aplicada com sucesso em inúmeras empresas – consiste em planejar o futuro da empresa com a própria equipe dela.

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