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sexta-feira, 25 de março de 2011

O discurso e a prática da Gestão de Talentos

Marco AntonioLampoglia - RH.com.br



Grandes e médias empresas estão preocupadas em atrair, desenvolver e principalmente reter talentos. Faz um tempo que assisti a uma apresentação de uma tese de um doutorando em administração e fiquei impressionado com o foco da pesquisa, realizada com 40 gestores de RH e 270 profissionais indicados por eles considerados talentos. Um dos pontos da pesquisa que me chamou a atenção foi de que o tempo médio de retenção dos profissionais talentosos foi entre dois a três anos de permanência na empresa, em 72% do total dos profissionais selecionados e que passaram pelas entrevistas de desligamento.



Durante a apresentação da pesquisa foram observadas fragilidades na Gestão de Talentos, começando pela indefinição do termo "talento" e os fatores que compõem o perfil. Foi observado também o excesso de expectativas direcionadas aos profissionais considerados talentosos. E os outros profissionais não considerados talentos? Qual o tratamento oferecido pelas empresas? Os profissionais considerados "talentos" devem ser tratados de forma diferenciada? Os profissionais de RH podem responder a essas perguntas com certeza e tenho imensa curiosidade em saber o que pensam. Pela minha experiência, acredito que sim, são tratados de forma diferenciada. E a retenção como seria o processo?



As convicções da relevância do capital humano nas organizações estimulam o debate e estão tornando-se "um prato cheio" para os especialistas e os pesquisadores referentes à administração estratégica de Recursos Humanos. Os debates estão apontando para uma revisão dos processos de gestão de todas as pessoas de uma organização, para que possam ser estimuladas a revelar todo o talento subjacente que, de maneira geral, é despercebido pelos líderes e gestores.



Temos, então, um paradoxo entre o discurso e a prática adotada na Gestão Estratégica de Pessoas, direcionando as empresas a repensarem os processos de identificação, desenvolvimento e retenção de profissionais considerados talentosos.



Talento: é difícil definir - Na visão de muitos autores, a palavra talento está vinculada à imagem de pessoas extraordinárias, acima da média. Portanto tais pessoas são uma minoria, uma elite, e como tal, devem ser tratadas. Na análise teórica do doutorando, um conceito de um autor me chamou a atenção: "talento é o conjunto de habilidades de uma pessoa, seus dons, conhecimento, experiência, inteligência, discernimento, atitude, caráter e que inclui sua capacidade de aprender, refletir e aplicar".



Cenário competitivo - É fato que as empresas precisam dos talentos, mas é necessário que o RH Estratégico consiga culturas e sistemas nos quais os profissionais possam utilizar todo o seu potencial e as práticas gerenciais e de liderança para obter os resultados esperados. As práticas de liderança não podem ser centralizadoras e muito menos autoritárias porque é fato que quando o turnover é alto (lembrando: de dois a três anos de retenção) valores como obediência e sacrifício na vida pessoal deixaram de existir e hoje os profissionais talentosos identificam- se menos com a empresa, são mais independentes e, portanto, possuem maior empregabilidade e "se movem na velocidade do seu talento".



Prática na gestão de talentos - O RH Estratégico deve considerar que um processo de análise e avaliação do potencial de talentos é fundamental e a maioria das empresas pesquisadas pelo doutorando apresentaram falhas metodológicas por falta de estudos científicos ou cópias de modelos prontos oferecidos por empresas, que não dominam com ciência a situação de desenvolvimento de competências de talentos potenciais. Alguns estudiosos afirmam também que para manter talentos motivados, a empresa tem que: ter credibilidade; necessita potencializar o crescimento; ser consciente do valor do ser humano; mostrar-se estimuladora da educação e do aprendizado contínuo; apresentar-se competitiva na remuneração; contar com um clima organizacional saudável e orientado para a busca constante de desafios.



Outra consideração: promover pessoas com rapidez pode destruir a responsabilidade e proporcionar pouca aprendizagem. E promover lentamente detém o ritmo do desenvolvimento.



Outra consideração: o estudo demonstra que as características das tarefas estimulam os estados psicológicos capazes de determinar a motivação e a satisfação pessoal no trabalho. Se esses estados psicológicos forem percebidos as pessoas estarão mais motivadas e isso gera maior retenção.



Por fim, o papel da liderança é significativo nos processos de atração, desenvolvimento e retenção. Para se ter os melhores talentos, os líderes devem estar comprometidos, incluindo a responsabilidade de formá-los. Sabemos que o RH não realiza o processo sozinho, sendo preciso que os gestores sejam co-responsáveis.

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